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quarta-feira, 5 de março de 2008

Claudia Leite: A maior enganação da década.

Claudia Leite: guitarras personalizadas e sensualidade

Final dos anos 90. O gênero que aparecera no fim da década anterior, representado por nomes como Sarajane, Luiz Caldas, Chiclete com Banana e Cid Guerreiro, chega ao seu ápice, com uma nova fornada de artistas, como Cheiro de Amor e Banda Eva. Esta última, chegou às vendagens astronômicas entre 98 e 99, puxadas pelo carisma de sua cantora, Ivete Sangalo, que logo logo sairia dali para seguir carreira solo. Carreira solo esta que foi incentivada por muitos músicos conceituados que perceberam o seu talento, como por exemplo, Herbert Viana, compositor de dois de seus grandes hits, as baladas "Se eu não te amasse tanto assim" (parceria com Paulo Sérgio Valle) e "A lua q te dei". No entanto, é quase impossível a convivência entre talento e showbussiness desenfreado. Em 2002, a música "Sorte Grande" (aquela da poeira), foi a mais tocada do ano, tendo sido a trilha sonora do Pentacampeonato da Seleção. Em suma, nada mais do que uma mirabolante jogada de marketing.

Ivete: perdendo-se em repertório esdrúxulo

A partir daí o irregular repertório de Ivete, bem como a sua carreira, descambou de vez para a música comercial, no pior sentido possível. Inclusive com a gravação de dois cds/dvds ao vivo por duas emissoras de música concorrentes (MTV e Multishow). E a baiana continua a lotar estádios e feiras agropecuárias por onde passa, além das micaretas mil que assolam todos os cantos do país, numa espécia de "baianização" da cultura do país.

E foi exatamente essa tal "baianização" que levou Claudia Leite, uma xerox mal feita de Ivete Sangalo a pedir, no Rio Grande do Sul, um dos estados mais orgulhosos de sua cultura local, que os presentes a seu show transformassem naquele momento, o RS em Bahia. Resultado: Uma vaia histórica. Se fosse no Rio de Janeiro, todos iriam quicar no chão, em meio a uma passividade cultural gigantesca. Todos querem ser a Bahia, menos o RS. A "baianização" virou um grande negócio.

A baiana da vez durante apresentação em uma mikareta

Claudia adota a linha 'sexy symbol': potencial ela tem


Claudia Leite, além de uma xerox mal feita, é o maior produto de mídia da década. Apareceu junto com o seu grupo, Babado Novo, tocando numa guitarra (?!) uma cover do Led Zepellin (?!?!) e outra do Roberto Carlos (?!?!?!), em meados de 2003. Ao alcançar o sucesso total na época, logo mudou a postura e passou a fazer o tipo "gostosona", usando roupas curtíssimas e fazendo caras e bocas, dizendo-se, com todas as letras, "a mais gostosa do mundo". Enfim, humildade não consta do seu dicionário. E agora, numa armação jamais vista, sai de sua banda, que continuará acompanhando-a. Entendeu? Nem eu... mas vida que segue. A coisa é de ordem financeira. Claudia é um produto fabricado em escritório de gravadora, para o consumo de uma geração alienada e abobalhada, que só gasta dinheiro se for pra "zoar". São capazes de gastar rios de dinheiro para ir a micaretas e gravações de dvd, como ocorreu recentemente com a mesma Claudia, na praia de Copacabana, numa tentativa frustrada de bater o recorde de dois anos atrás, dos Rolling Stones. Presunção pouca é bobagem. Uma amiga me chamou para ir nesse sohw, ao que respondi educadamente "Não, obrigado", para depois pensar comigo mesmo: "ainda me resta juízo". As pessoas não percebem o grande circo de fajutices que nos rondam há anos. Tudo é armado, tudo é manipulado. Tudo que a atual geração valoriza é superficial, vazio e sem razão de ser, a não ser a razão do consumismo exacerbado e da ganância da grande mídia, que vem exatamente ao encontro da passividade irritante de uma geração perdida. Tudo isso sob as ordens que partem dos trios elétricos: "Vamos sair do chão, galeraaaa!!!".